domingo, 14 de setembro de 2008

La Virgen de Los Sicarios, de Fernando Vallejo


Na Colômbia de Vallejo, a sombra da morte estrutura o caos do quotidiano, e é em torno da sua fuga, mas também da sua omnipresença, que se desenrolam as transacções, as sociabilidades possíveis, a corrupção política e impossibilidade de nos agarrarmos a qualquer tipo de certeza excepto essa, a do perecimento e da perenidade das coisas. Morre-se aos doze, dez ou menos anos, com uma bala na boca se a transgressão foi verbal, ou nos ouvidos se se escutaram coisas erradas. E no meio disto, descobre-se uma comovedora história entre dois soldados da vida de Medellín, como que a provar que a única ficção capaz de sobreviver é a do amor, ainda que sem esperança.

Intervenção Divina, de Elia Suleiman


Um maravilhoso filme mudo (bem, praticamente mudo), em que os diálogos são feitos com imagens e movimentações de personagens. Num ambiente reprimido, a Jerusalém do ano 2002, corpos entram e saem do cenário de forma robótica, encenando pequenas situações de humor e recriando um amor cheio de fantasia entre um israelita e uma palestiniana numa fronteira de controle. Uma pequena grande pérola de cinema vinda do Médio Oriente. A requisitar numa biblioteca pública perto de si.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Cenários para a infância II

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Mão e reflexo

domingo, 7 de setembro de 2008

Lacrimae Rerum: psicanálise cinematográfica


Lê-se com algum desconcerto, este pequeno conjunto de ensaios de Slavoj Zizek, filósofo e psicanalista, cujas teses parecem reincidir sobre os mesmo conceitos do documentário The Pervert's Guide to Cinema (pequeno excerto em baixo). As análises, como uma teia de associações livres, rebuscadas e libertinas, podem gerar alguma repulsa, mas também reside aí algum do seu fascínio. Temas como a duplicidade ontológica ou do sacrifício, que atravessam obras de Kieslowski, Hitchcok, Lynch ou Tarkovsky (os cineastas analisados), apondo realidade à sua reflexão fantasmagórica, ou a ideia que o cinema recria percepções da vida que já emergiam nalguma literatura do século XIX, tal como agora o hipertexto cibernauta se constitui como veículo de uma nova percepção (transitória e múltipla), são explorados de forma detalhada e convincente (talvez um pouco mais de auto-irrisão, como parece assumir a própria persona cinematográfica de Zizek, não fizesse mal à obra).

sábado, 6 de setembro de 2008

Aeropânico


O que leva as pessoas a interessar-se por um bando de pilotos irresponsáveis com carência de atenção a fazer piruetas dentro de uma cidade ultrapassa-me. Os pássaros calaram-se ou fugiram, o acesso ao rio foi vedado a todos os transeuntes (inclusive aos habitantes da zona ribeirinha, que para passear no seu próprio espaço precisam de pagar entrada), o ar está seguramente mais poluído e a minha cabeça lateja de tanto zumbido. E afinal os media não tinham decretado nas últimas semanas que voar era perigoso (embora estranhamente se tenha dado pouco destaque à denúncia dos próprios funcionários de uma célebre low cost)? Não deve ocorrer nada de mais interessante para investir o herário público. E que tal umas eleições autárquicas com candidatos em condições?

A borboleta no castelo

terça-feira, 2 de setembro de 2008

(re)Vistos


Ladrão de Casaca (To Catch a Thief), de Alfred Hitchcock

Corrupção (The Big Heat), de Fritz Lang

domingo, 31 de agosto de 2008

Aqui há gato(s)


Ou como perceber numa manhã de Sábado, entre latas de tinta e lençois esticados, a brincar aos cenários numa antiga fábrica de bolachas, a diferença entre teatro infantil e teatro para a infância.

Oficina de Teatro do Oprimido


Cortesia da PELE.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Wall-E


Depois de Persepolis, com este deslumbrante Wall-E era caso para dizer que este ano o cinema a sério (aquele que passa nas retrospectivas passadas duas décadas) se faz a partir de estúdios de animação. Seria como que um sinal de que o presente não pode ser representado por imagens de carne e osso, e apenas a personificação animada por um traço de lápis ou computador pudesse atingir uma humanidade que os próprios humanos já tivessem obliterado da sua substância. É uma questão recorrente, pelo menos para mim: somos mais humanos do que as ideias que podemos criar? E poderá um cinema tão comprometido com a desumanização (como o é o da Walt Disney nas últimas décadas, e ainda apesar da chancela dos ateliers Pixar) fornecer uma alternativa sedutora para uma resistência crítica neste início de milénio? Bem, a resposta poderá residir em muitas das passagens deste pequeno grande filme.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Tempo de mudar


Uma leitura updated e reloaded da perspectiva da mudança social a partir do poder das relações quotidianas. A análise, em tom sério e profundo mas não académico, centra-se sobre a dimensão macroestrutural que dita os comportamentos nos contextos locais e privados nas sociedades actuais, mas o tom não é fatalista e sobram exemplos de posturas alternativas (contra-hegemónicas, diria o Boaventura), capazes de fazer vacilar o cínico mais cristalizado. Como ouro sobre azul, ainda em rescaldo da oficina de teatro do oprimido.
GINSBORG, Paul (2004) Il tempo di cambiare. Politica e potere della vita quotidiana. Torino: Gli Struzzi. Einaudi

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Pé na areia com luz de crepúsculo

domingo, 24 de agosto de 2008

Alentejo 2008


Muitas coisas por registar, deixo-me ultrapassar pela doce vibração da vida e salto algumas etapas. Talvez me apanhe daqui a algum tempo. Para já, apenas um pequeno cheirinho por imagens.

domingo, 10 de agosto de 2008

Personagens à procura de uma história #2.4

O feitiço


Atirei-me ao desafio de leitura de The Spell, porque do mesmo autor, Alan Hollinghurst, já tinha a óptima referência de "A linha da beleza", para além de um ou outro conto numa antologia homoerótica. A hesitação inicial compensou, depois de com alguma insistência mergulhar no oceano de vocábulos estranhos e acompanhar os personagens na sua viagem, uma encruzilhada de operações eróticas e afectivas num cenário britânico (onde, como sabemos, o pathos é indissociável da rígida estratificação social, com todos os seus critérios de emanação). Há aqui domínio da escrita, pertinência analítica e devaneio lúdico suficiente para uma mão cheia de tardes de leitura prazeirosas.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Anticorpos

... pelo despertador que toca pela manhã, pelo trânsito furioso, pelos mal encarados, graxistas e narizes empinados, pela nortada nas praias, por não se verem as estrelas, pela musa definhada, pelo trabalho que reprime, pelo tempo que não há, por toda a tristeza do mundo, por todos os malentendidos, pelos que espezinham e vencem, pelos futuros apagados, por esta insatisfaçãosinha, por só se estar bem onde não se está, pelo que há-de vir...

"Antibodies", Poni Hoax.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Melancholic babies

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A cultura de Arnaldo Antunes


No mesmo dia em que Caetano Veloso acerta o violão numa praça de Aveiro, opto por Arnaldo Antunes num concerto tripeiro. É o meu terceiro encontro com o ex-Titãs, e dele ainda só espero surpresas. Fica o aviso que o investimento no bilhete pode resultar numa chuva de preciosidades como esta letra:

Cultura
O girino é o peixinho do sapo
O silêncio é o começo do papo
O bigode é a antena do gato
O cavalo é pasto do carrapato
O cabrito é o cordeiro da cabra
O pescoço é a barriga da cobra
O leitão é um porquinho mais novo
A galinha é um pouquinho do ovo
O desejo é o começo do corpo
Engordar é a tarefa do porco
A cegonha é a girafa do ganso
O cachorro é um lobo mais manso
O escuro é a metade da zebra
As raízes são as veias da seiva
O camelo é um cavalo sem sede
Tartaruga por dentro é parede
O potrinho é o bezerro da égua
A batalha é o começo da trégua
Papagaio é um dragão miniatura
Bactérias num meio é cultura

sábado, 19 de julho de 2008

Universidade júnior: o chapéu das perguntas*

Existe ejaculação feminina? Se sim, como funciona? Que actividades sexuais é que os homossexuais podem fazer? É mais fácil dar prazer ao homem ou à mulher? Após 3 anos de prática, é possível sair magoado(a) das relações sexuais? Ser homossexual contraria a fisionomia do ser humano? Já lidou com cenas de preconceitos? Se a vagina tem lábios, quer dizer que também tem dentes? 69, o que é?

* dinâmica que permite a apresentação de dúvidas anónimas, que são recolhidas e respondidas/debatidas em seguida.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Igreja em Noto, a vila barroca (Sicília)

O fio do olhar

Uma mulher dá à luz dois bebés e pasma quando vê que um é branco e outro é preto. O mundo pasma a olhar para a mulher pasmada a olhar para os dois bebés. Eu olho pasmado para o olhar pasmado do mundo, que pasma a olhar para a mulher pasmada. E o mundo fica pasmado com o meu olhar pasmado, que não alcança o porquê de tanto pasmar.

terça-feira, 15 de julho de 2008

September Song - Kurt Weill por Ian McCulloch

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A arte dos sneakers

Novas sapatilhas estreadas hoje. As outras, com toda a poeira, suor e buracos acumulados ao longo de quase dois anos e algumas centenas de quilómetros, foram depositadas no lixo (ouvi algures que alguém andava a recolher sapatos usados para reciclar materiais mas não conheço nada que se pareça por cá). Experimento um novo percurso - a marginal do lado do Porto, agora perto de casa, partindo do Museu do Carro Eléctrico e contornando toda a foz até chegar ao Parque da Cidade, de onde regressei ao ponto de partida. Mesmo quando a fadiga nos convence que calculamos mal a distância, lançando o corpo num desafio desconhecido, correr se calhar é essa necessidade de renovar o desejo por voltar a um lugar.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Em Palermo


Letra de ouvido e memória de "Sinto em Mim", dos Mler Ife Dada; detalhe de fonte no museu arqueológico de Palermo, Sicília.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O ano do pensamento mágico


Durante um ano, uma vida muda. Transmuda-se, como se, através de um oculto mecanismo de carrossel, as almas fossem trocando de corpos a cada sinal. Nesse movimento, as referências alteram-se. O mundo, observado de um outro ângulo, parece de início turvo, mas com o tempo torna-se claro e distinto. Para trás ficam destroços, pedaços de quem eramos. A rotação faz-nos ceder e procuramos refúgios. E a vida é retomada. Joan Didion viu o companheiro de quarenta anos falecer à sua frente. Durante um ano, agarrou-se através da escrita à desorientação da sua perda. O resultado é um livro. Decidiu chamar-lhe o ano do pensamento mágico, porque durante esse tempo suspendeu-se sobre a realidade, revivendo de forma elíptica o fatídico acontecimento. Lemos e pensamos sobre como se sobrevive quando o sentido da vida desaparece dentro de um saco preto, numa gaveta fria e anónima de uma morgue hospitalar. Pensar assim pode ser uma forma de fazer refresh na nossa colecção de metas e princípios pessoais.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Sicília #2: Noto, Siracusa, Naxos, Messina, Cefalù...

À espera, no aeroporto de Stansted

domingo, 6 de julho de 2008

Gomorra é aqui!


Lido durante o périplo siciliano, "Gomorra", o celebrado ensaio de Roberto Saviano sobre a mafia napolitana é um desconcertante exercício de demonstração da matemática implacável do poder. A corrupção e a violência (desmesurada, negra como um inferno profundo) emergem no retrato das actividades dos protagonistas, mas talvez o mais perturbador seja perceber como essa lógica anda de braços dados com a encenação da normalidade quotidiana, em todas as camadas do tecido social local (e não só). Por esta obra, híbrida porque apaixonada e pessoal, Saviano ficou com a cabeça a prémio.
Na foto (retirada daqui): a imagem do escritor numa perede napolitana. Por cima da imagem, a frase "ouve o apelo" ("ascolta il richiamo").

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Uni(di)versidades júniores?


Respondendo ao repto lançado por uma ex-professora de faculdade (tem o seu quê de bizarro descobrir que existe esse link na minha vida...), estive ontem com um grupo de teenagers (dos quase 15 aos quase 18, como gostam de se apresentar), para uma sessão ao ar livre sobre sexualidade, cortesia da programação organizada pelo núcleo de Sociologia para a Universidade Júnior. A disparidade de idades (significativa naquela faixa) não ajudou, assim como a diversidade de motivações (alguns foram nitidamente despachados pelas famílias, que não sabem o que fazer com tantas férias), mas lá se conseguiu mobilizar alguma conversa, mais ou menos envergonhada, e mais ou menos descarada. Quando ainda faltam mais três rondas, vou-me interrogando sobre a pertinência da coisa, vagamente esperançado enquanto saco supresas da cartola para combater a anestesia da jovem audiência e cozo voluntariamente os miolos ao Sol.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Sicília # 1: Palermo

Tudo o que é bom tem um fim. Verdade dramática e incontornável. Não reconheceríamos como coisas boas aquilo que nos é cruelmente negado com o regresso à labuta se as tivessemos constantemente disponíveis. Assim, restam-nos as fotografias, as convencionais e as mentais. Para mais tarde reviver.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Férias


Por estas bandas até dia 29. A todos um bom solstício de Verão e boas sardinhadas!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Personagens à procura de uma história # 2.3

domingo, 15 de junho de 2008

Fantasmas de acrílico # 6

Pedagogia freiriana


Lido: Pedagogia do Oprimido, o célebre texto de Paulo Freire que inspirou gerações de 'educólogos' e não só. O livro é uma espécie apologia apaixonada da educação como motor de libertação de todos os homens explorados. A especificidade da teoria dialógica, que seguramente terá servido de fundamento para a filosofia de base do reconhecimento e validação de competências (não da sua aplicação, infelizmente), reside no advogar da implicação necessária dos 'sem voz' na construção do seu próprio projecto educativo. A mudança e o caminho para o fim da relação opressor-oprimido só poderá acontecer através desse envolvimento das 'massas', processo que pressupõe a tomada de consciência ("conscientização") da situação de opressão. Interessante também é perceber que, apesar das várias chamadas de atenção contra o perigo da sloganização de muitas esquerdas (que reproduzem dessa forma a 'invasão' e a imposição de valores da relação de opressão), o próprio Freire evoca como modelos positivos de liderança revolucionária figuras que se revelaram historicamente inimigas exemplares das mesmas 'massas' que tão fervorosamente pareciam querer defender (como Fidel Castro ou Mao Tse Tung). Apesar desse 'pecado' intelectual, esta é uma leitura que nos consegue insuflar paixão pela educação como utopia da igualdade.

terça-feira, 10 de junho de 2008

And now, the moment we were all waiting for...

De vez em quando existe uma voz cristalina que podemos fazer de conta ser a voz da nossa geração. E Feist dá-nos tudo: the looks, the brains, óptimas melodias e letras, carisma e um vibrato que nos reconcilia com a vida a meio de uma semana de trabalho ingrato. Encontramo-nos logo às nove, em frente ao Coliseu?

segunda-feira, 9 de junho de 2008

O homem do ultra-fundo

O homem sentou-se, meio afogueado e com ar apressado. Afastou os cabelos em caracol lançando-os para trás da testa e fez perguntas telegráficas sobre o que fazia ali, não parecendo muito interessado nas respostas. Que sim, tinha interesses fora do local de trabalho (estava a entrevistá-lo no grande salão de reuniões dos chefes, e nem isso o inibia), a verdadeira vocação dele era ocupar-se de lesões de futebolistas. O que lhe interessava mesmo era um cursito de inglês, para poder entabular um diálogo com alguns dos atletas ou para quando receber na cave onde passa oito horas bem contadinhas por dia um novo chefe para o ouvir falar dos cuidados que presta a milhares de garrafas de vinho em estágio. No passado? Fui atleta de fundo e ultra-fundo. Nunca ouviu falar? Corria os 100 quilómetros. Olhei-o incrédulo. Assegurou-me um 68º lugar numa competição em França e um 8º em Espanha em tempos idos, que até o encontrava se pesquisasse assim e assim na Internet. Assegurou-me que os meus 10 km, duas vezes por semana, já não eram nada maus. E sai dali com aquela distância na cabeça. Imaginei a solidão de um homem na batalha contra as suas dores e pensamentos, tentando esconder dos outros que vive numa realidade paralela, preenchida pelo sonho permanente de uma meta que está sempre na curva seguinte.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Valencia connection (pausa publicitária)

Tem meio dia de trabalho que possa dispensar? Desespera por uma escapadela de fim-de-semana? Não é cedo nem é tarde! Aproveite as promoções da low cost mais próxima e vá passar dois dias inesquecíveis a Valencia! Conheça os arrebiques da arquitectura histórica e arte nova ou o contraste entre os delírios megalómanos de Calatrava, a habitação popular e os okupas; visite o parque verdejante reivindicado pela própria cidade há mais de meio século e que ocupa o que era outrora o próprio leito do rio; desconcerte-se com os horários e a subjectividade da gastronomia local; conheça a movida do bairro Carmen, súmula de tudo o que há de tradicional e moderno no país de nuestros hermanos; assista no teatro principal à nova peça da companhia de Rafael Amargo;

... pasme com o kitsch deslumbrante das falleras e os seus vestidos barrocos;

... conheça o IVAM, onde pode apreciar, inesperadamente, as últimas telas do colombiano Botero;

... delicie-se com o chocolate quente e os mojitos fresquinhos que espreitam a cada esquina; passeie pelas ruas e aprecie os sons e a presença exuberante dos nativos; relaxe nas praças e esplanadas; siga uma procissão colorida e cantante que culmina na devoção à Virgen dos Desamparados. Some ao arquivo do para-mais-tarde-recordar e esboce vários sorrisos.
(obrigado, mr.P)

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Navegar com Gore Vidal


Navegação ponto por ponto, explica-nos o autor como introdução a mais um volume das suas memórias, designa a capacidade de orientação a partir de um conjunto de referências geográficas, uma espécie de mapeamento em construção. A premissa explica o registo da reflexão autobiográfica de Vidal, cativante e estimulante como sempre foi para mim, agora com o plus de oitenta e três anos de vivências tudo menos desinteressantes ou monótonas. No final, ficamos com a impressão de uma cartografia pessoal de uma época, mais do que o percurso biográfico de um autor que nunca se deixou encurralar pelas ideologias ou pelo senso comum. Vivo e observo, logo experimento e desafio, parece-nos dizer Vidal, em jeito de testemunho pela sua passagem por este velho pequeno planeta. E por ali ficamos a saber que Greta Garbo aprendeu a praticar ioga depois de ter sido dispensada pelos estúdios ou que Roma era uma cidade interessante para morrer.
Navegação Ponto Por Ponto - Memórias 1964-2006, de Gore Vidal, Editora Casa das Letras

domingo, 1 de junho de 2008

Mosaico de Valencia