quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Workshop: Mudança e Troca Cultural


Hoje, amanhã e depois. 3 dias a explorar diferenças e formas de abordar narrativas de vida como motores para a mudança. Na FPCEUP, com a sabedoria e experiência de Jane Tarr e Nick Clough, a voz doce e possante do músico e contador de histórias Chartwell Dutiro (na imagem, com o seu mbiro, um instrumento de som encantatório, usado em cerimónias de evocação de espíritos de antepassados no Zimbabwe), e ainda a assertividade política da socióloga Maeve Landman. Primeira sessão: debater, cantar e contar a nossa história a partir de um objecto. Escolhi o meu pequeno leitor de mp3 e no meu perro inglês tentei explicar a importância que o universo musical tem nas várias dimensões do meu percurso pessoal, profissional e activista.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

MGT: Muthspiel, Grigoryan e Towner


Foi no sábado passado, na Casa da (quase toda a) Música. 3 guitarristas exímios, num encontro feliz.

Anacronismo tecnológico


Como que para dar razão à amargura dos nostálgicos, as capas dos vinis não cabem no tempo formatado dos scanners.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um livro aberto

O drama, o horror, uma história de vida, uma grande causa num pequeno ecrã. Cortesia do Porto Canal, a estação preferida do povo tripeiro, na próxima sexta-feira, das 13 às 14h (não vale rir! Ok, só um bocadinho...).

Do baú

os poemas são inúteis
não reparam a tua ausência

mas os livros sim
explicam-te e celebram-te
iluminas as palavras escondidas nas folhas cativas
abertas à passagem do amor

é esquisito
nos últimos tempos só me visto da tua nudez
o limbo parece mais apetecível
cheio de sorrisos, lágrimas e pernas enlaçadas,
café narciso e laranja matinal,
estrella de galicia e creme l’oreal,
poesia SMS

estou quase preparado para ser pescado
é o preço que os amantes pagam
pela ilusão de eternidade

não importa,
o teu toque nas minhas coxas
vai perdurar por todos os Setembros

sou a profunda melancolia no teu dorso
que sacodes com a língua entre os dentes
enquanto me convidas para um novo capítulo
do teu inesgotável kama sutra

o perigo espreita,
está na hora de subir os lençóis,
flectir o antebraço
e mergulhar no amplexo da tua boca

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

La Habana

Felino cubano


Os pontos em comum com os europeus são evidentes...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Projecto educação LGBT


Dois dias depois de rever o excelente documentário 'The times of Harvey Milk', a vontade de varrer a homofobia deste mundo regressa, e é acalentada com uma semana repleta de agenda LGBT. Já amanhã, com 180 alunos do nível secundário em Bragança. Para já, o mais assustador é mesmo a viagem, que vai começar às seis e meia da madrugada, e vai percorrer a zona mais gelada do país. Esperemos que os ânimos da sessão sirvam para aquecer... Wish me luck!

PS: um pavilhão cheio, um microfone, imprensa e rádio locais, muitas perguntas e hipóteses de respostas, foi o resultado de outra itinerância. Yep, assim dá gosto participar!

Cuba: cadernos de viagem #4

domingo, 24 de janeiro de 2010

Cuba: cadernos de viagem #3

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

"O profeta", de Jacques Audiard


Um homem novo e um homem velho. Ambos se encontram (é mais colidem) num estabelecimento prisional, e enquanto um tenta dominar o outro, passam-se testemunhos e histórias de sangue e traição. Um pequeno e fascinante épico de gansters, registado de forma frenética e fresca pelo mesmo criador do igualmente interessante "De tanto bater o meu coração parou". O percurso do jovem protagonista (Tahar Rahim, na foto) é também o do analfabetismo ao do domínio da linguagem (a transfiguração dá-se no momento em que o 'capo' se apercebe que o puto aprendeu o estranho dialecto corso, password de acesso ao mundo dos durões). E o que é mais interessante: a violência, tão mal explorada enquanto objecto fílmico nos dias que correm, e que é inevitavelmente uma dimensão presente no quotidiano de uma boa parte da realidade humana, encontra-se aqui na medida certa, nem mais nem menos do que o necessário para se perceber que é assim que se ganha e se perde poder (e pathos dramático).

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Contra-Natura, de Álvaro Pombo


O calhamaço da semana caribeña, lido no momento em que Portugal se prepara para alargar o casamento civil aos casais do mesmo sexo. A acção decorre a dois tempos e em dois espaços - na moderna Madrid e na coservadora Málaga - em dois tempos - o período Zapatero e a juventude dos protagonistas séniores, vivida nos anos 60 franquistas. Inclui três gerações de homossexuais, todos representados por personagens filhos do seu zeigeist. E assim o autor procura retratar a história recente da maricagem no pais de nuestros hermanos. Um bom pressuposto, mas que falha na concretização e que deixa entrever uma nostalgia mal disfarçada pela marginalidade, nos tempos em que os sodomitas eram presos, internados e proscritos (bem expressa na escolha do título). Como se nessa exclusão residisse uma fraternidade erotizante e liberta de prescrições morais. Nada de estranho ou novo na visão, compreende-se que o casamento deixe muita gente desconfortável, mas também é preciso ver que nem todos se adaptam às casas de banho públicas: haja diversidade!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Cuba: cadernos de viagem #2


Em frente à cativante marginal - o malecon - acossada pelas ondas, o forte de San Filipe del Morro.

Cuba: cadernos de viagem #1


Uma esquina em Havana (ou La Habana), entre prédios monumentais, barrocos e arruinados, ao abrigo dos gineteros (melgas que assediam os turistas com todo o tipo de propostas).

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Murais em Havana

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Portugal, 8 de Janeiro


via Toyonobu
(e agora, enquanto se prepara o debate na especialidade e o parecer do PR e do TC, um breve e acho eu merecido interregno cubano)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Agora é esperar pelo melhor...

Réplicas #2

Réplica 2 (a outro deputado do CDS-PP)

Na minha opinião deve considerar a elevada participação dos cidadãos nesta questão como um índice da importância que lhe atribuem. Talvez não o seja estritamente pela decisão a tomar no próximo dia 8, mas também pela dimensão simbólica que ela assume enquanto iniciativa de uma democracia em prol de valores como a igualdade e a liberdade. E de facto é reconhecido por muitos (talvez não apenas pelos que votaram favoravelmente nos programas políticos que incluíam a igualdade no acesso ao casamento) que esta é uma etapa importante na maturidade política da sociedade portuguesa. É-o enquanto reconhecimento de um segmento da população ignorado e humilhado num longo percurso de violações do direitos mais básicos; mas também enquanto constatação da necessidade de conceber homens e mulheres enquanto cidadãos em pé de igualdade, em todas as suas dimensões de realização pessoal. Só assim poderemos considerar-nos um país que trata todos os seus cidadãos de igual forma e concentrar-nos então noutras questões relevantes do nosso quotidiano colectivo.

Réplicas parlamentares

Réplica 1 (a um deputado do CDS-PP)

De facto discordamos num conjunto de pontos essenciais. Em primeiro lugar, na matriz daquilo que verdadeiramente está em debate nesta questão: a visão dualista (e assimétrica) do género, algo que a nossa sociedade felizmente tem vindo a procurar ultrapassar, em nome precisamente dos valores que invoca: o da igualdade e o do livre acesso às oportunidades pessoais, sociais e profissionais. Quando finalmente realizarmos que não existe uma essência masculina ou feminina (de facto são ambas construções culturais e em mutação), vamos perceber a importância de valores superiores como o da solidariedade e da complementaridade, sim, mas entre pessoas, independentemente do seu género.
Desvalorizar ou ignorar a realidade múltipla das configurações familiares que hoje preenchem o tecido social português é querer tapar os olhos e fechar as portas à diversidade que nos enriquece enquanto comunidade. E é também agir de forma arrogante perante agregados que se encontram desprotegidos perante a lei (cujos exemplos mais flagrantes são o das crianças que já crescem no seio destes novos modelos familiares ou o da impossibilidade da transmissão de património entre companheiros do mesmo sexo).
O que se reclama não é alienígeno ao contrato social ou à Declaração Universal dos Direitos do Homem, e em conformidade com isso que reclamo uma iniciativa da Assembleia da República.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Amor canino (do baú)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Momentos novas oportunidades

Parei de teclar furiosamente quando me interpelou, com olhos de um azul vítreo e semblante à Almada Negreiros:
- Se teclasse assim já tinha acabado isto há séculos.
- É uma questão de hábito, sabe que é a minha ferramenta de trabalho. O que é que você faz?, perguntei.
- Trabalho na lota. Prefiro o trabalho mil vezes a isto. Nunca estive no mar, mas perdi um avô, num naufrágio que levou para mais de 100 homens. Há uma estátua em Matosinhos sobre isso.
- É um trabalho pesado. Que horário faz?
- Das 4 às 9. Ainda me dava tempo para fazer um curso de dia, como eu queria.

No mesmo dia, um senhor dirigiu-se ao centro para informar que a esposa tinha falecido. Queria recolher o trabalho que ela tinha feito,uma história de vida que, sabia-o, o deveria incluir. Não soube o que registar naquele processo. Uma desistência implicava uma vontade explícita. Uma suspensão significa uma hipótese de regresso. Uma vida assim, pensei, ficaria no limbo das oportunidades.

Cara/o deputada/o,

Aproximando-se a data da votação dos projectos sobre a igualdade no acesso ao casamento civil, queria deixar aqui o meu apelo pessoal à sua aprovação. Trata-se de uma matéria de cidadania, de dignidade e igualdade, todos princípios inscritos na nossa Constituição, esse texto que nos define enquanto sociedade e pelo qual queremos ver orientada a acção das nossas instituições.
Nas minhas actividades pessoais e profissionais tenho tomado contacto com vários tipos de discriminação e poucos me parecem tão gritantes como a realidade das pessoas (e sobretudo os jovens) gays e lésbicas. Felizmente, não o poderemos negar, a mudança recente de valores tem permitido uma maior abertura à diversidade. Contudo, há ainda um grande combate a travar contra a homofobia, contra os preconceitos e atitudes que impedem um crescimento saudável e integrado e uma relação familiar, pessoal e profissional enriquecida. A batalha deve travar-se em várias frentes: na escola, em casa, nos meios de comunicação, nos locais de trabalho e em todos os espaços do quotidiano. É o Estado que deve dar o exemplo, tratando de forma igual todos os cidadãos, reconhecendo a legitimidade do seu direito à conjugalidade e dessa forma respeitando o artigo 13º da Constituição da República Portuguesa.
É esse o exemplo que gostaria que pudessem dar a todos os jovens deste país; é esse o exemplo que gostaria que dessem aos meus pais e aos pais do meu companheiro; é esse o exemplo que gostaria que dessem ao mundo, sobretudo aos governos de nações que penalizam severamente as relações homossexuais, violando dessa forma os direitos humanos mais básicos.

Confiante da vossa atenção,


(carta que enviei aos deputados da Assembleia da República, a propósito da votação da discussão das propostas de igualdade no casamento e adopção que terão lugar no dia 8 de Janeiro)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

2010


A gerência deseja do coração a todos os visitantes um excelente novo ano, cheio de surpresas boas, imaginação e alguns passos mais próximos de todas as metas!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Correr à chuva


É preciso ser bastante louco, pensava eu para os meus cordões, enquanto corria no piso irregular da baixa do Porto numa noite chuvosa. Mas a companhia da mana e de mais cinco mil loucos deixou-me estranhamente bem disposto. Dez quilómetros em 52 minutos e 40 segundos foram, nestas condições, uma boa vitória moral, para acabar de vez com 2009.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Mensagem de Natal

- HETEROSEXUALITY IS THE OPIATE OF THE MASSES!
- THERE WILL BE NO SEXUAL REVOLUTION WITHOUT HOMOSEXUAL REVOLUTION!
- JOIN THE HOMOSEXUAL INTIFADA!


in 'Raspberry Reich', de Bruce La Bruce

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Um fraquinho por v.h.m.



Há dias assim: terminas um livro e repousas a nuca saciado de frases. Aqui tratava-se de "O nosso reino". O terceiro dos romances (lidos pela ordem inversa da publicação) confirma-me o assombro perante tanto talento. Depois descubri-o, sem carnalidades mas em carne e osso e voz, assim despretensioso e doce. As prendas de Natal trazem quase todas a sua marca, que para mais é multifacetada: há letras de prosa e poesia, há desenhos e há a voz nesta música. Um brinde à longa vida criativa de valter hugo mãe!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Nuits de la pleine lune, de Eric Rohmer


Há quem se irrite solenemente com os filmes do Eric Rohmer. Ou porque os personagens são snobs, ou porque não se calam, ou porque pura e simplesmente não vêm interesse em nada daquilo. Para mim, Rohmer é um dos génios do cinema. Não pelo arrojo formal (até há algo de tremendamente contido, como se se quisesse despojar cinematograficamente o objecto, reduzindo-o à sua essência). O que me atraí é a leveza com que organiza os seus pequenos contos, dotando as personagens de um saber ser que para mim é todo um compêndio de filosofia, a que regresso sempre que posso. E regressei neste sábado, à acolhedora sala do Teatro do Campo Alegre, para ver "Noites de Lua Cheia" (de 1984). Foi no mesmo dia em que fiquei a saber duas boas notícias para o Porto: o afastamento do Red Bull Air Race para a capital (em boa hora!) e a reabertura do Cinema Nun'Álvares, que regressa assim à condição de única sala de cinema da cidade (não considerando, por razões cuja enumeração considero disponsável, os antros de degustação de pipocas dos centros comerciais).

Ler em comunidade

Organizando-me a custo, finalmente consegui comparecer a uma (a última) sessão da comunidade de leitores aqui ao lado, na BMAG. O livro a conversar era o do Manuel Jorge Marmelo ("As Sereias do Mindelo"), que valter hugo mãe, o escritor (e leitor) convidou para estar presente e comentar a diversidade de leituras a partir do seu texto. Imagino que, como autor, deve ser desconcertante perceber isso. Em primeiro lugar, esclareceu-se: o texto não é autobiográfico. Pelo menos não no sentido literal. Resulta de um conjunto de pequenos contos que, por sugestão do editor, se transformaram num pequeno romance. E é ficção, no sentido em que aquelas mulheres não existem senão na projecção do autor (embora para sua grande surpresa algumas personagens se tenham materializado numa visita posterior a Cabo Verde). Pensei que podíamos estar perante uma dupla falácia: a de que, enquanto jornalista (a verdadeira profissão de Jorge Marmelo), o relato é a transcrição da realidade, e a de que enquanto ficcionista, não se descrevem senão invenções. Ocorreu-me uma analogia com o périplo pelas ilhas de Nanni Moretti, num dos episódios de 'Caro Diário': também aí o protagonista procurava ideias para uma história, sem se aperceber que a procura já tinha ganho uma identidade própria enquanto tal; e também aí o autor se apresentava numa encenação autobiográfica. Não era também uma viagem de auto-conhecimento o percurso pelas ilhas feito por Ulisses? As ilhas enquanto universos circunscritos e 'puros', onde experimentamos um impacto não contaminado, como num estudo de laboratório, de onde se arredam todas as outras variáveis? Os lugares (incluindo os literários) são sempre a intersecção entre uma realidade e o olhar adoptado. No acto criativo, o autor dissimula-se mas também se expõe num jogo de papeis cuja chave pode residir numa opinião polifónica como a que se fez ouvir naquele pequeno auditório. E eu, roído, calei os meus bitaites e desejei que aquela conversa não terminasse.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Flower power

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

VITÓRIA, VITÓRIA...

... agora começa uma outra história!

Emoções WC

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Não-lugares, de Marc Augé


Multiplamente citado, o conceito de não-lugar nasce num pequeno ensaio crítico acerca das transformações no olhar antropológico. Basicamente, procura definir a mutação resultante das transformações nos conceitos de espaço e tempo, por sua vez decorrentes da aceleração da 'sobremodernidade' (de que são exemplos a possibilidade de comunicar com todo o planeta em simultâneo, ou a multiplicação das mobilidades). Nessa mudança, aquilo que explica o que somos é cada vez mais esse estado de transição (definido exemplarmente pelo tempo que ocupamos em espaços como aeroportos, autocarros, auto-estradas, hoteis, em viagem, etc), por oposição a uma visão de permanência e de identidade confinada (que procurava, nesse olhar antropológico do 'outro' uma essência imutável e ritualmente reproduzida). Desta forma, Augé contraria a perspectiva mais conservadora que olha para estas mudanças como uma alienação e motor de desagregação social, conferindo-lhes antes uma esperançosa capacidade de reconstrução identitária.

Used to be, Beach House


Isto era para ser um post musical sobre o concerto da Maria João com a Orquestra de Jazz de Matosinhos na Casa da Música. Acontece que (como dizem cá no burgo): há uma, o imeem, através do qual publicava músicas, passou para o MySpace; há duas, pelo youtube também não se encontra nada de jeito da cantora; há três, cruzei-me com esta música maravilhosa desta banda que consegue lançar um raio de luz no bréu denso de um dia chuvoso.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Infidelidades, de Woody Allen


Traduzido com muita eficácia e oferecido pelos meus queridos Esteva e JMS (que saudades do vosso cantinho!), o livro inclui três pequenas peças, com o estilo reconhecível do autor. Foi o antídoto perfeito para o ambiente sisudo e apático criado por dias chuvosos na granítica invicta, com direito a risadas sentidas, numa cadência inusitada. Praticamente despojado de indicações cénicas, é um texto para teatro de leitura bastante fluída. Uma boa prenda, se quiserem contrariar o clima oco e pesado da época.

Ossessione, de Luchino Visconti


O filme do mestre que, 66 anos após a sua estreia, todos podemos ver ou rever com um deslumbre imperturbável.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Encontro com a AMPLOS


A AMPLOS - Associação de Pais e Mães pela Liberdade de Orientação - é um grupo de pais que pretende mobilizar as famílias de pessoas gays e lésbicas, partilhando experiências, fornecendo informação e dessa forma combatendo a discriminação e homofobia. É uma iniciativa que considero extraordinária como gesto de cidadania e que poderá ter um papel importantíssimo nestes tempos que se aproximam, em que o debate parlamentar sobre a igualdade no casamento se irá alargar a toda sociedade numa escala ainda imprevisível. A associação dá-se a conhecer hoje às 16 horas no Porto, no espaço A Cadeira de Van Gogh e eu estarei por lá, como representante da associação ILGA-Portugal. Ficam aqui os contactos, para os eventuais interessados (isso inclui pais e outros familiares que precisem se informar, desabafar ou simplesmente partilhar):
AMPLOS: 918820063
amplos.bo@gmail.com
http://amplosbo.wordpress.com/about/

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Júlia


Passaram já quase nove meses desde que nasceste, o mesmo tempo que precisaste para te formares na barriga da tua mãe. No primeiro dia, fiz-te este desenho, que entretanto perdi com um bloco desaparecido. Penso em ti com uma assiduidade maior do que os nossos encontros, mas isso é uma conversa que teremos um dia como dois bons amigos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fim de semana cultural

Depois de um desastroso tiro ao lado, de que escapamos ao fim de duas "músicas" (a apresentação do projecto Hercules and The Love Affair no Clubbing da Casa da Música: sem Antony, sem bateria, sem guitarra, sem sopros e sem interesse), seguiram-se outros dois serões culturais. No primeiro, espreitámos "Breve Resumo da História de Deus", um texto pouco conhecido de Gil Vicente levado à cena pela companhia do TNSJ, no fim do qual concluo o que sempre concluo no São João: "foi a última vez!"; ou seja, óptimos cenários e figurinos, mas exploração rígida e enfadonha de um texto, devo admitir, nada fácil: afinal, há quantos séculos não falamos aquela língua? No Domingo, o tiro acerta no alvo (o que, considerando a raridade do facto nas visitas ao teatro, me encheu de júbilo): "Jardim Zoológico de Cristal", a primeira peça de sucesso de Tennessee Williams, na versão inspiradíssima do projecto Ao Cabo Teatro, com a amiga Micaela e a mais brilhante actriz (e actor) que eu já conheci nos palcos portugueses: Maria do Céu Ribeiro.

Vão ver, que não se arrependem (mais info aqui).
Depois das peças, chá e conversas. Isto sim, concluímos, são os serões ideais para este casal de trintões tripeiros.

As Sereias do Mindelo, de Manuel Jorge Marmelo


Mais um (novo) escritor do Porto, e a assinatura da cidade parece reconhecível no texto, ainda que o itinerário (físico mas sobretudo mental) vagueie por Cabo Verde, Angola, São Miguel e Galiza. Não é bem um romance, antes um meta-romance ou um texto sobre a escrita. Como se, enquanto recolhesse pistas para mais tarde trabalhar, como um etnólogo que regista observações (neste caso eróticas e sentimentais) para posterior interpretação, acabasse por perceber que o caderno de viagem tinha ganho uma identidade própria. Não é brilhante, mas enquanto 'coisa' literária pouco classificável e despretensiosa vale a pena espreitar.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dança da Fada do Açúcar


Se para alguma coisa serve a época, poderá ser para recordar os clássicos. E melhor ainda se for com as sobrinhas. O 'Quebra-Nozes', de Tchaikovski, foi ontem, no Coliseu, pela companhia Ballet Clássico de Moscovo. Aqui, um excerto na versão de 1958 de Ekaterina Maximova.