Les mots "faire l'amour" ont une séduction à eux, très verbale, en les séparent de leur sens. Ce terme de "faire", matériel e positif, uni à cette abstraction poétique du mot "amour", m'enchantait.
in Bonjour Tristesse, de Françoise Sagan
sábado, 8 de janeiro de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Ano novo, cidadania renovada
Próximo sábado, participo noutra iniciativa para a comunidade. Desta feita, um gabinete em Ovar, para uma pequena palestra/discussão sobre orientação sexual e identidade de género, mais uma vez no âmbito do projecto educação LGBT da rede ex aequo. Se calhar devia rever o meu auto-conceito de céptico-pessimista para céptico-activista. Resultados da reflexão em breve...
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Bonjour, tristesse
Enquanto leio o pequeno livro de Françoise Sagan, arrebatado por um euro numa feira da ladra belga, a voz da Gréco e a imagem da beleza melancólica da Jean Seberg não me saem da cabeça...
domingo, 2 de janeiro de 2011
Diários de Guy Delisle
Outro belíssimo trabalho deste autor de origem canadiana. Desta vez o registo da estadia neste país controlado por uma ditadura militar, para onde acompanhou a mulher (médica na organização Médicos Sem Fronteiras) e o filho durante cerca de um ano. Depois de "Shenzen" (lido há uns tempos) e "Pyongyang", o estilo atinge o seu cume, traduzindo-se numa observação cáustica e bem humorada do quotidiano na região, vivido por um expatriado. Grande literatura, em formado banda desenhada.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
2010
"Provérbios flamengos", de Peter Brueghel
Mais um ano, mais uma década, mais uma corrida, mais uma viagem. Os balanços forçados nunca saem tão bem como aqueles momentos raros de epifania em que nos sentimos em equilíbrio, situados numa determinada convergência do espaço e do tempo. De qualquer das formas, assim de repente (e consultando o registo no blog) houve lugar para uma mão cheia de memórias para arquivo futuro:
- algumas viagens (Cuba, Nápoles, Stromboli, Bélgica), incluindo uma estadia com formação em Roma para agitar águas laborais;
- belos concertos (Sonic Youth e Broken Social Scene à cabeça, bem distantes);
- belos álbuns (não necessariamente editados mas muito ouvidos este ano: Broken Social Scene - "Forgiveness rock record", Sonic Youth - "The Eternal", David Byrne - "Here lies love", Florence and the Machine - "Lungs", Francisco Ribeiro - "Desiderata", Beach House - "Teen dream", Morrissey - "Year of the refusal", El Guincho - "Pop negro", The Do - "A mouthfull", Carminho - "Fado", Best Coast - "Crazy for you"
- filmes especiais: "Non,ma fille tu n'ira pas dancer", de Christophe Honoré, "Les herbes folles", de Alain Resnais, "Plan B", de Marco Berger
- livros para recordar: "My lives", de Edmund White, "a máquina de fazer espanhóis", de valter hugo mãe
- piscinas, corridas e a bicicleta na cidade
- a operação da mãe
- as visitas às escolas, para pregar a diversidade
- a gravidez de Miss B, Miss S. e Miss J.
- uma casa na baixa
- contemplar as pinturas de Brueghel, os subterrâneos napolitanos, um incêndio no vulcão, ouvir Pergolesi no Pantheon, um passeio nocturno na isola tiberina
- o amor, o amor, o amor...
Foto de E.I.
No penúltimo dia do ano, criei também um perfil no facebook. Fi-lo para satisfazer a curiosidade do sogro, mas também porque se criou uma inevitabilidade pessoal e profissional (vou ter que gerir os conteúdos no perfil da minha instituição, por isso convém saber onde é que me vou meter). Mas não acreditem muito no que lá virem. É que eu às vezes não sou muito eu.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Fisioterapia
Começaram as visitas diárias à clínica para tentar acelerar a recuperação dos movimentos na face esquerda. É uma hora ao final do dia de trabalho dedicada a esta pequena mas tão comprometedora parte do meu corpo. Na clínica concentram-se aparelhos estranhos, camas, muitas toalhas e objectos coloridos avulsos como bolas e esponjas. Circulam rapazes e raparigas vestidos em roupas de ginástica com o logótipo institucional, muito jovens e bem dispostos, que no mesmo cenário onde se deslocam lentamente alguns utentes, parecem circular à velocidade da luz (visto da minha maca é como se alguém tivesse baralhado os controlos da máquina do tempo). Habituo-me rapidamente ao protocolo diário: 15 minutos com uns adesivos ligados a uma espécie de eléctrodos, outros 15 com uma botija de água quente na face e a restante meia hora com exercícios e massagens com a terapeuta. Levo um livro para a primeira parte e na restante limito-me a olhar para uma rede que suporta umas bolas e através da qual se entrevê o tecto. A sensação é bastante semelhante à dos momentos de relaxamento no final das sessões de ioga e saio descontraído, a pensar que podia fazer isto o resto da vida...
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
A arte de Marjane
Também desencantado numa loja da especialidade em Bruxelas, este pequeno mas delicioso livro da autora da celebrada BD Persépolis (depois adaptada ao cinema) é o reencontro com o seu registo autobiográfico, desta vez dando voz a uma polifonia feminina que reúne mulheres de várias gerações, com problemas e estratégias únicos mas também universais. Altamente recomendável como manual de sobrevivência num mundo dominado pela soberba masculina.
"Cours, jousqu'a perdre l'halaine..."
Como já começa a ser tradição, participei com a mana na corrida de São Silvestre. Desta vez sem chuva, foi apenas correr e correr com frio e muito boa disposição e vontade de queimar todas as guloseimas ingeridas nos últimos dias! Um resultado final pouco abonatório, mas havia desculpas q.b.: o frio, a geografia inóspita do percurso, os abusos alimentares da época, uma dor de costas, partir no final do pelotão, ir distraído com as renas e os pais Natal...
Xmas #2
Tempos de bonanza depois do stress pré-consoada, que acabou por correr lindamente, e according to the book: aletria, rabanadas e bilharacos de abóbora feitos de manhã; bolo-rei, frutos secos e bebidas; bacalhau com grelos e cabrito para o almoço; prendas, árvore de Natal e até um providencial presépio oferecido pelos sogros directamente da Guatemala. Parece corriqueiro, mas foram tudo estreias aqui para o je, e uma oportunidade para deixar alguns preconceitos à porta e abrir uma frincha para o Pai Natal entrar...
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
A teoria das pessoas sós
Ler a saga do Monsieur Jean, de Dupuy e Berberian, é conhecer um verdadeiro tratado sobre o que é ser um homem numa grande urbe do século XX. Recomendável para leitores sem preconceitos e virados para um sentido de humor sui generis. Para além de que é a única forma de ficar a saber, entre outras coisas, porque é que as pessoas sós se apaixonam sempre pelas pessoas comprometidas e as pessoas comprometidas pelas pessoas sós.
A verdadeira princesa sereia
Só existiu uma verdadeira diva que mantinha tanto glamour dentro como fora de água - a irrepetível Esther Williams. Dá-la a conhecer à minha sobrinha, que tem tanta paixão pela água como por princesas, só podia dar certo.
Boas notícias é...
- Receber uma carta da câmara, a dar alguma esperança quanto à propriedade de uns certos metros quadrados (quem estiver por dentro saberá do que falo)
- Receber outra carta, do banco, a avisar que foi finalmente liquidado o empréstimo pessoal para pagar o automóvel
- Olhar para o espelho e franzir, ainda que muito levemente, o sobrolho do lado esquerdo...
Tudo no mesmo dia, parece mentira. Nesta consoada a Cassandra que arranje outro poiso.
- Receber outra carta, do banco, a avisar que foi finalmente liquidado o empréstimo pessoal para pagar o automóvel
- Olhar para o espelho e franzir, ainda que muito levemente, o sobrolho do lado esquerdo...
Tudo no mesmo dia, parece mentira. Nesta consoada a Cassandra que arranje outro poiso.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Bilharacos
O olhar de José Luís Peixoto
A primeira tentativa séria para conhecer o fru fru em torno deste autor fica-se pela confirmação da incapacidade (minha ou dele, está para se ver) em transformar um conjunto de figuras de estilo (ou tiques, para os mais desconfiados) num pedaço de literatura apetecível. Não é que não estejam lá - em "Nenhum Olhar", o romance de estreia - os ingredientes certos: há o retrato de um Alentejo desconhecido por muitos (olá, aldeia das Galveias, que saudades dos vossos queijinhos frescos de cabra!); há uma paleta colorida de cenários e personagens que rapidamente podemos chamar 'nossos'; há uma pan-religiosidade que emana de toda a(s) história(s). Mas o todo, para mim, não resulta, e até torci o nariz a algum português que para ali se pratica, disfarçado de 'marca autoral'. Pronto, admito que sirva para alguns (ok, muitos) leitores. Eu é que com os livros sou como a roupa: é difícil encontrar a minha medida.
sábado, 18 de dezembro de 2010
A paixão de Paulo e Leonor
Mesmo com momentos menos bons, as peças de Paulo Ribeiro incluem sempre momentos deslumbrantes. E esta tinha um trunfo forte, chamado Leonor Keil, inesquecível. Foi hoje no TNSJ.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
A propósito do post anterior...
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Xmas
O solestício de Inverno a aproximar-se e as famílias já em ponto de ebulição (ele há coisa mais difícil de negociar do que onde e com quem se vai passar a consoada?). De resto, encurralado entre a culpa do consumo desenfreado e o torniquete dos compromissos sociais, é cada vez mais complicado encontrar quem encare isto de forma saudável. O que nos vale são as rabanadas...
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Belgium snapshots #2
Que dizer de um país para onde se vai com poucas expectativas? Que o frio não atrapalha se as casas estão preparadas (quentes ao ponto do abafo); que a gastronomia fora do circuito turístico é boa e recomenda-se (até coisas estranhas como endívias envolvidas em presunto e, sobretudo, a arte das cervejas); que cidades cujas referências eram vagas ganham uma identidade própria e de visita muito recomendável (Bruges e Gant, mas sobretudo Bruxelas e a orgulhosa Antuérpia); que é possível encontrar um comércio criativo, surpreendente e cheio de espaços de compra e venda em segunda (ou enésima) mão (livros e velharias em grandioso destaque); que não é possível algum dia ficar farto da arte flamenga; que a banda desenhada pode ser vivida como uma arte maior e integrar o património cultural de toda uma sociedade. Tudo e muito mais, para ver e rever nesse peculiar pedaço de planeta tão bem cantado por um dos seus filhos.
domingo, 12 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Em Bruxelas, daqui a nada

Alguns dias para descontrair, tomar um banho de banda desenhada, comer chocolates, sobreviver ao frio e à intempérie, sentir a alma belga, ver museus e, essencialmente, sair do nosso canto no mundo. Até já.
Paralisia facial periféria
Há dois dias com a face esquerda anestesiada, tenho dificuldade em olhar-me ao espelho. Trata-se de uma espécie de paralisia que afecta o nervo facial, geralmente precedida de alguns sintomas (no meu caso, uma dor no ouvido, embora tenham detectado algumas coisas estranhas no meu espaçoso nariz e ordenado uma coisa que estou a tentar evitar há demasiado tempo: uma correcção do septo, essa protuberância que tanta personalidade me empresta). Seria apenas divertido, se não fosse também limitador. Tenho que me preparar para algumas semanas de adaptação a falar diferente e comer devagar (sempre com um guardanapo por perto). Mas, sobretudo, tenho que perceber (talvez pela primeira vez com esta acuidade) que quem somos passa muito pelo que fazemos com a nossa cara, e que se ela se torna inexpressiva, somos como que uma parede inerte, que não responde ao seu ambiente. Só o tempo e o espelho (com a ajuda de exercícios e sessões de fisioterapia) poderão dizer quanto tempo demorarei a recuperar a minha cara-metade.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Baby swimming
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Por um fio
Há dois dias, fiquei pela primeira vez bem perto de ter um acidente de automóvel grave ou mesmo fatal. Uma curva fechada em plena auto-estrada (mal sinalizada ou distracção minha não cheguei a perceber), numa manhã gélida e com piso escorregadio, fizeram-me perder por um momento o controle do carro, que literalmente derrapou e ziguezagueou durante pelo menos dez segundos. Não vi os 35 anos da minha vida concentrados num segundo (teria sido interessante perceber que memórias teriam surgido nesse flash) e aparentemente o corpo só reagiu ao susto uns minutos depois quando, segundo a minha passageira, empalideci. Talvez tenha sido a minha mente a projectar cenários que se aproximaram rapidamente naquele instante, como imagens seleccionadas com um dedo num ecrã digital.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Nostalgia
terça-feira, 30 de novembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
La scienza dei cachi
domingo, 28 de novembro de 2010
Diário romano#3
Praticamente sem fotos nem desenhos, mas com uma grande colecção de memórias ainda frescas na cabeça, o regresso à invicta fez-se já com aquela sensação (quase esquecida) de nostalgia antecipada pelo que se deixa para trás. Balanço final muito positivo para uma experiência que incluiu partilhas efectivas e aprendizagens que deixam no ar a vontade de investir noutros intercâmbios. Os contactos feitos podem ajudar e nestas coisas há que manter o sentido de iniciativa enquanto ele não se deixa vencer pela inércia do quotidiano.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Diário romano #2
Visita guiada pela cidade, com Elizabeta, uma simpática e eficiente guia, que para além deste biscate é uma arqueóloga e professora, pelo que fala com autoridade sobre a cidade. O pequeno tour incluiu uma visita ao Pantheon, onde num momento de magia começou um recital com peças de Pergolesi (uma música etérea num sítio já de si bastante irreal). Na Piazza Navona, provei um dos maravilhosos e únicos tartuffos da fomosa gelataria Tre Scalini e saboreei-o sozinho, sentado num banco em frente à fonte de Bernini com os quatro rios a representar os quatro continentes conhecidos à época da construção, com poucos transeuntes e um par de músicos de rua a criar outra atmosfera especial. Flanêur, entro numa ou noutra livraria, compro outro volume do Italo Calvino, junto-me ao grupo para um jantar regado a vinho e (de novo) rematado por um delicioso limoncelo.
Diário romano
Chegado ontem a Roma para uma formação, começo a olhar para a cidade transalpina com outros olhos. A chuva e o período do ano afastam as hordas de turistas que conheci nas visitas anteriores e é efectivamente possível pensar na cidade como um sítio onde se leva uma vida normal e quotidiana. O grupo de trabalho é pequeno, o que pode trazer algumas desvantagens (para uma experiência de intercâmbio) mas também algumas vantagens (mais tempo dedicado a cada projecto), se devidamente organizado. A ver vamos.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
(Des)Função pública
De vez em quando espreito os concursos públicos no Diário da República e concorro, sem convicção, mas quase por sentido de responsabilidade. Quando finalmente chega a hora de prestar provas, uma inércia indolente toma conta de mim (anti-corpos criados por muito convívio diário com maus exemplares de funcionalismo público?...). Há dias, depois de demorada ponderação, acabei por comparecer numa prova escrita de conhecimentos. O regulamento indicava um conjunto de leis (que obviamente não li) sobre a função pública como base do exame mas tinha a vaga esperança que aparecessem questões abertas sobre, sei lá, coisas pertinentes para o desempenho da função tipo qual o papel das autarquias no desenvolvimento local e que tipo de prioridades podemos definir para as políticas sociais. Mas não, era mesmo só e exclusivamente sobre contratos, regulamentos, direitos e deveres na função pública. Li o formulário e devolvi-o, dando conhecimento da minha desistência, para grande perplexidade das vigilantes, que ficaram um pouco sem saber o que fazer. Talvez não estivesse escrito nos procedimentos...
Foi há uma semana...
... mas o concerto (e aquele abraço ao guitarrista) ainda não me saiu da cabeça. Grande música, grande banda, grande momento.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
"Lola", de Brillante Mendoza
Eis um filme que dá que pensar, não só pelo que ele é intrinsecamente mas pelo que nos diz do estado actual do cinema. Em primeiro lugar, o privilégio que é, nos dias que correm, dominados pela lógica esmagadora 'pipoca+acção+coca-cola+arroto' do circuito comercial, ver um filme de origem filipina. Essa condição de privilégio e raridade explica, quanto a mim, o segundo ponto: o do exacerbado estatuto adquirido pelo realizador (pelo menos a avaliar por este filme, o único que vi) e todo o hype bem-pensante que o rodeia. Finalmente, há o filme em si, um simpático mas limitado (não apenas, obviamente, no sentido dos recursos) objecto cinematográfico, que tem como mais valias duas bravas protagonistas geriátricas (as 'lolas', do título) com quem sofremos do princípio ao fim, para além da curiosidade antropológica do retrato documental de uma Manila miserável, caótica e aquática. Como fragilidades, para mim, um argumento hesitante (aquela da avó aceitar o dinheiro em troca da absolvição do assassino do neto tem que se lhe diga...) e esta pretensão um bocado irritante de fazer passar um filme pela realidade tal como ela é (que tem, como supra-sumos os irmãos Dardenne, criadores de verdadeiras pérolas do cinema de terror). A ver, apesar de tudo (mas sobretudo porque são os tempos que são).
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Dona F.
Já teve uns olhos de ficar imediatamente hipnotizado, para o que ajudavam as curvas de um corpo bem aconchegado por roupas modernas, que encaminhavam o olhar de baixo para cima, até ficarmos numa espécie de torpor. Acabava de chegar da Venezuela, onde tinha vivido a maior parte da vida e ganhava a vida a embelezar venezuelanas no seu próprio salão. Isto foi há 4 anos. Depois desapareceu das sessões de RVC. Ligou-me agora, discurso atabalhoado e lá combinamos uma entrevista. Apareceu com a mãe, mas não a reconheci logo. Só após um breve instante os olhos a traíram, não como antigamente, mas como reconhecemos um brinquedo preterido e enferrujado. Falou-me das tragédias que engordaram o seu corpo, até ser o triplo do que tinha sido: o divórcio litigioso, a perda dos filhos, a depressão, a espiral de medicação, quatro anos a inchar de infelicidade. E apesar de tudo, a coragem para regressar das trevas trouxe-a a mim de novo. Sem outros motivos aparentes para além da simples e muito humana tenacidade que nos vai segurando ao dia-a-dia. Vê-la já é uma lição de vida, a biografia gravada no corpo, no cabelo e no olhar da candidata dona F.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
You say potato, I say potahto...
Num dia vês comigo a "Madame de..", do Max Ophulls e no dia seguinte vou contigo a um shopping ver as "Piranhas 3D" - penso na pose da Danielle Darrieux a morrer de amor como se morria nos romances do século XIX enquanto me desvio dos peixes assassinos que atravessam o ecrã; vens comigo a uma livraria e eu acompanho-te a ver as novidades nas lojas da moda - os leitores vestem-se mal, quase por definição, penso enquanto me assusto com a semelhança entre pessoas e manequins; vejo contigo o último clip da Lady Gaga, em troca vamos aos Broken Social Scene - no dia seguinte, debatemos quem faz mais barulho e nenhum de nós reconhece que o ruído é um conceito interior. Depois encolhemos os ombros, rimos e damos o enésimo beijo do dia.
Sneakers, serotonina
Os 14km de ontem, na prova paralela à da maratona que decorreu ontem na invicta, souberam a pouco (ainda que com uma inesperada redução de tempo de quatro minutos em relação ao ano anterior). Ver o povo do dorsal laranja (que distinguia os corredores da maratona dos corredores da prova familiar, com dorsal azul), de porte altivo (ou pelo menos assim pareceu ao meu ego) deixou-me com ganas de continuar a correr e no final, aquele que já era um projecto de projecto tornou-se uma (quase) resolução: daqui a um ano, correr a minha primeira maratona. A empreitada, de grande envergadura, exige uma preparação cuidadosa e atempada. Detalhes, angústias, conquistas e reveses seguir-se-ão, sob a etiqueta 'projecto maratona'.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Fantasia para tempos de austeridade (para Mr.P)
Só neste planeta alguém se lembraria de fazer um filme destes, outro alguém de fazer uma música como esta e um outro de juntar as duas coisas e publicar no youtube.
Filme: "Les demoiselles de Rochefort", de Jacques Demy
Música: "When I'm with you", dos Best Coast (rendez vous daqui a um mês)
Filme: "Les demoiselles de Rochefort", de Jacques Demy
Música: "When I'm with you", dos Best Coast (rendez vous daqui a um mês)
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