quarta-feira, 9 de setembro de 2009

S. Miguel #3


Para ter esta visão do ilhéu de São Roque (ou do Cão, nome com que é brindado localmente), é preciso estar precisamente na esquina formada pela amurada da piscina natural do Forno da Cal. A entrada é gratuita, e o responsável, de um brio inegualável, tenta segurar diariamente as traquinices dos "'miúdos terríveis de São Roque", enquanto mantém impecáveis a limpeza dos balneários novinhos em folha e a distribuição dos cadeirões pelos visitantes diários, quase todos conhecidos entre si.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

S.Miguel #2


E só dava vontade de estar quedo, mergulhar naquele ar e nos rumores marítimos.

Regresso a S. Miguel


Regressar aos Açores no Verão foi uma experiência que reconheço agora ser difícil de traduzir por palavras. A beleza dos cenários transcende a poesia, porque essa tem a sua reserva na memória. Ali, em vez, esse lado inexprimível dos sentidos faz-nos rapidamente acreditar mais em deuses e bruxarias, enfim, em coisas menos humanas, ou se quiserem, sobre-humanas: há lagoas em crateras, vulcões em alto mar com águas cristalinas, vapores a brotar da terra, os maiores mamíferos da Terra banham-se nestas paragens, há água a escaldar em praias do mar feitas de pedras negras e de forma lunar. Ficamos embriagados de verde e azul. Depois há o que o Homem fez, e também aí encontramos tesouros. Um fartote que torna quase inconcebível o regresso a casa (que, somatizado ou não, coincidiu com uma amigdalite de pôr um elefante k.o.).

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Em viagem #1 e 2





Enquanto circulamos, estamos em trânsito de expectativas, há um 'vir-a-ser' que pode não vir-a-ser. Por isso quase sempre a página da esquerda do moleskine fica em branco, para que caiba essa margem de autonomia do destino.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Imagens de Estocolmo #7 e 8



domingo, 2 de agosto de 2009

"A chave do armário"


Recomendável por:
- ajudar a arrumar ideias quanto à pertinencia da reivindicação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, enquanto demanda pela igualdade;
- tornar mais evidentes as 'ligações perigosas' entre a ciência e a legitimação de ideologias descriminatórias;
- fazer um status quo quanto à posição portuguesa no cenário internacional do movimento LGBT;
- pela clareza e engajamento.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Imagens de Estocolmo #6

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Filhos de domingo


Na secção de autores suecos duma pequena livraria inglesa de 'Gamla Stan', selecionei um pequeno livro de Ingmar Bergman. Tal como noutras obras (escritas e filmadas, de 'Fanny e Alexandre' a 'As melhores intenções'), o relato centra-se sobre um fragmento autobiográfico, desta feita durante a infância, que pincela de forma cativante as pequenas idiossincrassias e tramas familiares encenadas durante um verdejante Verão escandinavo. Ao que parece, existe uma versão filmada...

domingo, 26 de julho de 2009

Imagens de Estocolmo #5


Que mais pedir a uma cidade onde a água dos canais é a mesma utilizada nas torneiras de casa e onde ao fim de um dia de trabalho é só despir a roupa e procurar o jardim público mais próximo para mergulhar?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

"Tina"



domingo, 12 de julho de 2009

Imagens de Estocolmo #4


Junto à cidade, já composta por várias ilhas, encontramos um arquipélago imenso, acessível em viagens de barco que vão da meia hora às três horas de viagem. Em cada ilha há aquilo que a Escandinávia tem de melhor para oferecer: uma natureza deslumbrante e multifacetada. Nós escolhemos a verdejante Grinda, e no regresso de barco não resisti à concentração desta jovem leitora.

sábado, 11 de julho de 2009

Mr Clive & Mr Page, de Neil Bartlett


Concebido em formato de relato, na realidade um testemunho policial (como já em fase avançada do romance nos apercebemos), trata-se de outro exemplo da elegância narrativa do mesmo autor do enternecedor "Ready to catch him should he fall". Mais um retrato da vida homossexual londrina, desta feita na década de 1920. Para alguém pouco sensível aos abismos que se podem espreitar nos pequenos interstícios dos estados de alma humana, pouco se passará nesta singular história de amor. Para os outros, há muito com que se deleitar.

Imagens de Estocolmo #3

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Imagens de Estocolmo #2


O recital era só à noite, mas de manhã o pianista ensaiava já algumas peças de Ravel. Nesta apresentação privada, o som ecoava como uma voz celestial na grande escadaria central do museu, entre estátuas e quadros da colecção permanente.

domingo, 5 de julho de 2009

Imagens de Estocolmo #1


Recém-regressados de uma semana verdadeiramente inolvidável, de barriga escandinaviamente cheia.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

The trouble with the impressionists


Homme s'assuyant la jambe, de Gustave Caillebotte

Numa palestra recente numa escola secundária, para comentar um documentário sobre 'a geração de 90', idealizado e executado por finalistas da área de artes do liceu, a plateia partilhava comigo a angústia de nada se poder inventar de novo, neste ano de 2009. Lembrei-me da leitura recente de uma daquelas fantásticas e democráticas edições da Taschen sobre o movimento impressionista, que se conseguem arranjar por 7 ou 8 euros numa banca de rua. Tentei retorquir com a ideia de que também eles, os actualmente incontestáveis Monets, Degas e Van Goghs, foram alvo de chacota e incompreensão à época. Como sempre, na história de arte, a sua missão era a de romper com as evidências e apresentar um novo olhar, um pouco como uma criança que descobre que aquela cabeça com corpo de árvore que olha para ela é apenas um adulto escondido à espreita: o truque está em dialogar com a perspectiva, com o património adquirido, e lançar esse olhar para um mundo que, como esse olhar, está em mudança permanente.

Jacques de Diderot


O clássico de Diderot, o autor da primeira grande enciclopédia do saber humano, consta da célebre lista de Calvino. É um facto que é difícil perceber a originalidade dos clássicos. Eles já fazem parte da tradição que inauguraram quando chegamos a eles. Depois há os que ainda assim são um prazer, e os que nos causam alguma perplexidade intelectual. Como livro de aventuras, adopta o modelo de Quixote, mas num texto que subverte permanentemente os papeis (o do narrador e o do leitor, do lugar da demiurgia), a alturas tantas não sabemos quem é o amo e quem é o lacaio, o que parece sintonizar-se com os ares daqueles finais de século XIX. O destino de tão empenhada viagem escapa-nos. Talvez seja apenas o fim do romance. Ou o ínício de outra coisa qualquer, que como leitores nos desafia até aos dias de hoje.

Family Ties, de Joanna Quin


Eis como se faz um artista: um traço excepcional, solto e dinâmico, um sentido de ritmo e humor sui generis, e muito, mas muito amor pelo que se faz. Este foi incluído numa sessão dedicada ao seu trabalho, num ciclo a não perder, promovido pela Casa da Animação no auditório da Biblioteca Almeida Garret.

Piero, de Boudoin



Pequeno poema visual dedicado à amizade entre dois irmãos, é também uma belíssima ode à infância, onde às vezes parecemos poder beber tudo.

sábado, 20 de junho de 2009

A vida em 10 segundos


Um bailarino deita-se, depois de percorrer todo o cenário várias vezes em movimentos circulares.

sábado, 13 de junho de 2009

Bulir pela Igualdade!

Marchar, já no dia 20!


Para assinar pela igualdade, clicar aqui em qualquer altura (quanto mais cedo melhor!)

Para acompanhar o movimento, clicar aqui.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Aragens escandinavas


A escassos 15 dias de uma visita ao terreno, delicio-me com duas pérolas de pós-modernismo sueco: o filme "Deixa-me entrar" (na imagem), fábula vampiresca sobre o crescimento, com um domínio elegante (e invulgar nos tempos que correm) da arte da elipse, a provar, pela enésima vez, que o terror se faz sem se mostrar, apenas confiando na capacidade humana interior de evocação de demónios.
No plano musical, o viciante projecto (também visual) da jovem que responde por Fever Ray. Aqui fica um pequeno exemplo, num vídeo realizado por um Martin de Turrah (se procurarem vão-se surpreender com o ar cândido da miúda por debaixo da roupagem chamânica):

E sim, mais uma vez cedo ao meu fétiche por caxopas roqueiras, independentes e criativas.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Encomenda #2


Acrílico em tela 20x20cm

Encomenda #1


Acrílico em tela 20x20cm

sábado, 6 de junho de 2009

A morte de Ivan Ilich


Novela emblemática da literatura universal. Ideal para ler em períodos de grandes balanços pessoais, porque a morte e a grande escrita tornam tudo relativo.

Algumas horas nas 40 horas de Serralves #2


À esquerda: três bailarinos. À direita: exemplar de espécime tagarela.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

sábado, 30 de maio de 2009

BD: work in progress...

Fã do SNS #2


Fita de triagem no Santos Silva. Atendimento irrepreensível.

Fã do SNS #1


No pequeno tempo de espera numa das novas Unidades de Saúde Familiar.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sununtai!


Era uma vez um cão desesperado à procura de alguém na praia de Moledo. Pessoas juravam a pés juntos que tinham visto um homem a passear com o bicho e depois abandoná-lo à sua sorte, fugindo num automóvel topo de gama. Era uma vez uma senhora que reparou nisso e não arredou pé enquanto não percebesse o que se tinha passado. Tinha um sotaque engraçado e ar determinado. Era assim porque tinha vindo de outro país, para se instalar numa aldeia ali perto, juntamente com o marido, uma empresa de serviços de informática, alguns animais e várias plantas. Acabou por adoptar o cão. Baptizou-o de Sununtai, finlandês para Domingo, o dia da ocorrência. Um ano e meio depois, ao reencontrá-los, não consegui evitar pensar que a distância que o espectro humano consegue abraçar cabe na diferença entre aquele homem distinto e esta excêntrica senhora. Woof!

Mundo BD


A vontade de perceber um pouco mais do universo banda-desenhada leva-me à procura de lojas da especialidade. No Porto temos a (que eu julgava morta) loja "Mundo Fantasma". Entro discretamente e vasculho mas as primeiras impressões desiludem-me: só encontro Manga e super-heróis. De narrativas gráficas, ao estilo de um Matotti ou um Gipi, nada excepto um pequeno recanto. De autores tugas menos ainda, e fico a perceber porquê pela opinião do lojista (um tagarela-'cola', que me explica que o estilo BD-fado não faz parte das preferências da casa). Escolho pela pinta "Alguns dias com um mentiroso", uma história de Etienne Davodeau e tento descolar-me do vendedor (que se preparava para tirar a tarde para me revelar a sua opinião sobre a aquisição).
A oficina de BD com o Paulo vai já na recta final. Ainda não passamos da planificação da história para a execução, é um processo mais complexo do que poderia pensar à partida. Talvez precise de uma segunda edição para concretizar as pranchas...

The Swimming Pool Library


Um clássico da literatura gay, escrito nos idos anos 80, com acção na Londres ainda na ressaca de Thatcher, a que o autor regressaria no igualmente celebrado e conseguido "A linha da beleza". Uma narrativa com dois planos temporais que se cruzarão já no final, no desenlace de uma cadência narrativa perfeita. Através de um punhado de personagens cativantes, Hollinghurst urde um pequeno ensaio sobre a história da vida queer durante o século XX: os lugares, a perseguição, a violência, as dinâmicas afectivas e sexuais. E sim, tem algumas belíssimas passagens eróticas, daquelas capazes de fazer guinchar de dor um recém-circuncisado.

sábado, 23 de maio de 2009

Catarsis

Alela & Friends


Foi mesmo ontem, em Famalicão? Os dois terços de plateia vazia perdiam um belíssimo recital de câmara, com a voz e melodias encantadas de Alela Diane, o seu corte de cabelo e a sua simpática banda. Na mesma semana da aparição de Antony no Coliseu, mais uma visão que me fez acreditar que existe vida noutros planetas.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Grandes momentos de BD


in Trompe La Mort, de Alexandre Clérisse (Dargaud)

domingo, 17 de maio de 2009

Printemps a Espinhaço

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Democracia é...


... enfiarem-te numa ala hospitalar (serviço público, fique claro!), e quando te pedem para te despires e vestires aquele modelito verde que deixa o rabo de fora, sentires que o que deixaste dentro do cacifo foram estes 33 anos de papeis exemplares (o filho, o aluno, o formador, o activista, o amigo, o amante). Lá dentro somos de novo aquela pequena massa de vida carente, como no momento do primeiro grito fora do ventre.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Olhó pópó


Quem me conhece nem que seja apenas por alguns minutos sabe que um dos temas em que sou menos versado é o automóvel. Se me pedem preferências, escolho sempre os Minis ou os Fiat 600, versão clássica, e a minha memória selectiva não me deixa fixar outros nomes. Eram carros com a medida justa, cabia lá tudo o que devia caber duma família nuclear (incluindo a dose certa de peso corporal, numa altura em que se desconhecia o que era obesidade para além da clássica pança latina, e de consumíveis domésticos, numa era pré monstró-mercados). E eram bonitos e coloridos, sem este snobismo insuportável dos polidos cinzentos e linhas aerodinâmicas. Eram assumidamente anti-dinâmicos, porque a vida também não era esta montanha russa. Andavam ao nosso ritmo e estavam-se a borrifar para os complexos de pénis.

domingo, 10 de maio de 2009

Shostakovich ao meio-dia


Foi há umas 3 semanas, aqui ao lado, na Casa da Música (sem o Leonard Bernstein, mas enfim). Um grande auditório cheio de famílias e outras faunas. O palco estava repleto, afinal tratava-se de uma sinfonia! No concerto comentado, ficamos a saber algumas curiosidades acerca da peça, incluindo a interpretação de algumas dissonâncias, que não eram senão mensagens subversivas subtilmente endereçadas pelo cerceado Dmitri ao regime. Mas nada é tão eloquente como a própria música, que nos dá vontade de saltar daquele auditório burguês e estraçalhar tiranos e capitalistas!